Departamento Pessoal

Como calcular o 13º salário em 2026: passo a passo com exemplos

Todo fim de ano a mesma cena se repete no Departamento Pessoal: a folha de novembro fecha, alguém lembra do 13º e a conta sai às pressas. É quando aparecem os dois erros que mais geram reclamação trabalhista — contar errado os meses de quem foi admitido no meio do ano e descontar INSS na parcela errada.

Este guia mostra o cálculo completo, com as tabelas de 2026 e exemplos fechados. E começa pelo aviso que vale mais que o resto: em 2026, o prazo da segunda parcela cai em um domingo.

Os prazos de 2026 — e a armadilha do dia 20

A gratificação natalina é paga em duas parcelas, nos termos da Lei 4.749/1965:

Parcela Prazo legal Em 2026 Descontos
1ª (adiantamento) entre 1º de fevereiro e 30 de novembro 30/11/2026, segunda-feira nenhum
2ª até 20 de dezembro 20/12/2026 cai em um domingo INSS e IRRF

Atenção ao dia 20. Como o prazo final da segunda parcela cai em um domingo, o pagamento precisa ser antecipado para o último dia útil anterior: sexta-feira, 18 de dezembro de 2026. Quem programar a transferência para segunda, dia 21, está pagando em atraso — com multa administrativa e exposição a reclamação trabalhista por um deslize de calendário.

Há ainda uma regra pouco usada: o empregado pode requerer, durante o mês de janeiro, que o adiantamento seja pago junto com as férias daquele ano.

Quem tem direito

Todo empregado com registro em carteira, incluindo o doméstico (LC 150/2015), o rural e o avulso. A base é o direito previsto no art. 7º, VIII, da Constituição e na Lei 4.090/1962.

Tem direito quem trabalhou pelo menos 15 dias no ano — e quem é dispensado sem justa causa recebe o proporcional na rescisão. Só perde o 13º quem é dispensado por justa causa.

A regra dos 15 dias: onde quase todo mundo erra

O 13º é devido à razão de 1/12 por mês trabalhado. E aqui está o detalhe que decide a conta:

A fração igual ou superior a 15 dias conta como mês inteiro. Abaixo de 15 dias, não conta. (Lei 4.090/1962, art. 1º, § 2º)

Isso vale para os dois extremos do contrato:

  • Admissão. Quem entrou em 16 de março tem março contado — são 16 dias. Quem entrou em 18 de março não tem — são 14 dias.
  • Demissão. Quem saiu em 14 de agosto não leva agosto. Quem saiu em 15 de agosto leva.
  • Faltas injustificadas. O mês só é perdido se o empregado deixar de trabalhar 15 dias ou mais naquele mês. Duas ou três faltas não tiram o avo.
  • Aviso prévio indenizado. O período projeta no tempo de serviço e conta para o 13º.

Errar um único avo em uma folha de 40 pessoas é o tipo de problema que volta como ação trabalhista três anos depois, com juros.

O que entra na base de cálculo

A base é a remuneração de dezembro — ou a do mês da rescisão, quando for o caso. E remuneração não é só o salário fixo. Entram também, pela média do ano:

  • horas extras habituais
  • adicional noturno
  • adicional de insalubridade ou periculosidade
  • comissões e percentagens
  • gratificações habituais

Se o empregado recebe salário fixo e nada mais, a base é o salário de dezembro. Se tem variáveis, a base é o salário de dezembro mais a média das variáveis pagas no ano.

As tabelas de 2026

INSS — Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026

Salário de contribuição Alíquota Parcela a deduzir
Até R$ 1.621,00 7,5% —
De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84 9% R$ 24,32
De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27 12% R$ 111,40
De R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55 14% R$ 198,49

Teto do salário de contribuição: R$ 8.475,55. Desconto máximo do empregado: R$ 988,09.

A alíquota é progressiva — incide por faixa, não sobre o salário inteiro. O atalho usado na folha é aplicar a alíquota da faixa e subtrair a parcela a deduzir.

O INSS sobre o 13º é calculado em separado do salário do mês. Não se soma o 13º ao salário de dezembro para achar a faixa: são duas bases distintas.

IRRF — Lei 15.191/2025

Base de cálculo mensal Alíquota Parcela a deduzir
Até R$ 2.428,80 isento —
De R$ 2.428,81 a R$ 2.826,65 7,5% R$ 182,16
De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 15% R$ 394,16
De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 22,5% R$ 675,49
Acima de R$ 4.664,69 27,5% R$ 908,73

Desconto simplificado: R$ 607,20. Dedução por dependente: R$ 189,59.

A novidade de 2026: o redutor que zera o imposto até R$ 5.000

A Lei 15.270/2025, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, criou um redutor que torna isento, na prática, quem recebe até R$ 5.000:

  • até R$ 5.000 — redutor de até R$ 312,89, que zera o imposto
  • de R$ 5.000,01 a R$ 7.350 — redutor decrescente, pela fórmula 978,62 − (0,133145 × rendimento)
  • acima de R$ 7.350 — sem redutor

O redutor também se aplica ao 13º salário, com base própria. Na prática: boa parte dos trabalhadores vai receber o 13º de 2026 sem desconto algum de Imposto de Renda — e a folha precisa estar parametrizada para isso. Sistema desatualizado vai descontar imposto indevido.

O cálculo, passo a passo

  1. Conte os avos — meses com 15 dias ou mais de trabalho
  2. Monte a base — salário de dezembro mais a média das variáveis
  3. Calcule o 13º integral — base dividida por 12, multiplicada pelos avos
  4. Pague metade até 30/11, sem desconto nenhum
  5. Na segunda parcela, calcule o INSS sobre o 13º integral
  6. Calcule o IRRF sobre o 13º integral menos o INSS, aplicando o redutor
  7. Pague: 13º integral menos adiantamento, menos INSS, menos IRRF

Exemplo 1 — salário fixo, ano completo

Maria, R$ 3.000,00, trabalhou os 12 meses.

13º integral R$ 3.000,00
1ª parcela (até 30/11) R$ 1.500,00
INSS 3.000,00 × 12% − 111,40 = R$ 248,60
Base do IRRF 3.000,00 − 248,60 = R$ 2.751,40
IRRF R$ 0,00 — o redutor zera
2ª parcela (até 18/12) 3.000,00 − 1.500,00 − 248,60 = R$ 1.251,40
Líquido total R$ 2.751,40

Exemplo 2 — admissão no meio do ano, com horas extras

João, admitido em 18/03/2026, salário R$ 2.400,00, média de horas extras R$ 350,00.

Março tem apenas 14 dias trabalhados — não conta. Bastaria ter sido admitido dois dias antes para o avo existir. São 9 avos (abril a dezembro).

Base 2.400,00 + 350,00 = R$ 2.750,00
13º proporcional 2.750,00 ÷ 12 × 9 = R$ 2.062,50
1ª parcela R$ 1.031,25
INSS 2.062,50 × 9% − 24,32 = R$ 161,31
Base do IRRF 2.062,50 − 161,31 = R$ 1.901,19 — isento
2ª parcela 2.062,50 − 1.031,25 − 161,31 = R$ 869,94
Líquido total R$ 1.901,19

Exemplo 3 — salário acima da faixa do redutor

Carla, R$ 6.000,00, ano completo.

13º integral R$ 6.000,00
1ª parcela R$ 3.000,00
INSS 6.000,00 × 14% − 198,49 = R$ 641,51
Base do IRRF 6.000,00 − 641,51 = R$ 5.358,49
IRRF pela tabela 5.358,49 × 27,5% − 908,73 = R$ 564,85
Redutor 978,62 − (0,133145 × 6.000,00) = R$ 179,75
IRRF devido 564,85 − 179,75 = R$ 385,10
2ª parcela 6.000,00 − 3.000,00 − 641,51 − 385,10 = R$ 1.973,39

Os cinco erros que mais vejo

  1. Descontar INSS na primeira parcela. O adiantamento é pago bruto. Os descontos incidem integralmente na segunda parcela.
  2. Somar o 13º ao salário de dezembro para achar a faixa do INSS. São bases separadas.
  3. Contar o mês de admissão sem checar os 15 dias.
  4. Esquecer a média das variáveis. Quem faz hora extra habitual tem direito à média no 13º.
  5. Deixar a segunda parcela para o dia 20 em 2026. Cai em domingo — o prazo é 18/12.

Checklist para fechar o 13º de 2026

  • Conferir os avos de cada empregado, com atenção a admissões e afastamentos
  • Apurar a média das variáveis do ano
  • Programar a 1ª parcela para até 30/11/2026, sem descontos
  • Conferir se a folha está parametrizada com o redutor da Lei 15.270/2025
  • Programar a 2ª parcela para 18/12/2026 (sexta-feira)
  • Enviar os eventos do eSocial nos prazos
  • Guardar os recibos assinados

O 13º de quem esteve afastado pelo INSS durante o ano segue regra própria, com a empresa pagando apenas os meses trabalhados e o INSS pagando o abono anual do período de benefício. É assunto para um texto à parte.

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